23 ago 2018
Antonio Dias (1944-2018) | Homenagem ao artista

O blog da ABACT não poderia deixar de prestar homenagem ao grande artista e professor Antonio Manuel Lima Dias, ou simplesmente Antonio Dias, brasileiro nascido em Campina Grande, Estado da Paraíba, em 1944, cujo falecimento se deu no dia 1. de agosto de 2018 no Rio de Janeiro, cidade onde iniciou sua carreira artística na década de 1950.

Dos estudos com Oswaldo Goeldi (1895-1961), passando pela Escola Nacional de Belas Artes, Antonio Dias esteve em Paris no final dos prolíficos e conturbados anos 1960 com bolsa do governo francês, residiu em Milão e em Nova York, onde recebeu a prestigiosa bolsa da Simon Guggenheim Foundation. Na década de 1990, lecionou em Salzburgo, Áustria, e também em Karlsruhe, Alemanha, e na Holanda.

Antonio Dias. Nota sobre a morte imprevista. 1965. óleo, acrílico, vinil, plexiglass sobre tecido e madeira. 195 x 176 x 63 cm

Em sua trajetória, iniciada nos anos 1960 com pinturas críticas à ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), passou pela figuração, adotou abordagens conceituais, produziu vídeos, livros de artista, instalações, objetos e, por fim, voltou-se novamente à pintura. Teve obras exibidas regularmente, década após década, em numerosas mostras individuais e coletivas em espaços institucionais, bienais, museus e galerias e feiras de arte das principais metrópoles mundiais.

Sua produção foi comercializada pela Galeria Luisa Strina e, a partir de 2009, passou a ser representada pela Galeria Nara Roesler. Em 2015, o artista foi agraciado com o lançamento de “Antonio Dias”, alentada publicação ilustrada em que Achille Bonito Oliva e Paulo Sergio Duarte fizeram apreciações críticas de sua vasta obra. Foi lançada em edição limitada pela saudosa editora Cosac Naify e pela Associação para o Patronato Contemporâneo – APC, entidade sem fins lucrativos fundada em 2011 pela Galeria Nara Roesler para viabilizar a realização de projetos institucionais e estimular o patronato cultural.

“Eu não posso lhe passar tudo o que eu pensei, mas você também não pode me passar tudo o que você viu. Então nós temos ali uma área que nos faz pensar nisso. (…) Tem aquele canto que falta, que é pra lembrar a você ou a mim que existe esse diálogo, que é necessário eu procure entender o que eu estou vendo”, resume com didatismo em vídeo na Enciclopédia Itaú Cultural, uma das questões nodais a respeito da participação do espectador na apreensão do objeto artístico. Deixa saudade!

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Imagem do topo da publicação: Antonio Dias. Anywhere is my land. 1968. Acrílica sobre tela. 130 x 195 cm. Legendas da fotogaleria abaixo:

  1. Antonio Dias. Boundaries. 1988. Acrílica e grafite sobre tela, madeira com esmalte. 139 x 248 cm
  2. Antonio Dias. Sem título. 2011. Acrílica, óxido de ferro, folha de ouro e cobre sobre tela. 180 x 390 x 10 cm
  3. Antonio Dias. The illustration of art (me and others). 1977. Papel feito à mão. 115 x 240 cm
  4. Antonio Dias. O laço- eu e você. 1965. Acrílica e vinil sobre madeira. 139 x 123 x 60 cm
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